Resenha: Espelho dos Olhos

15:43


E, se por causa de uma revelação, sua vida mudasse? E, se por causa de ser quem você é, as pessoas te julgassem sem ter conhecimento algum? Revelar-se, às vezes, pode não ser uma boa ideia. Mas é preciso.Enquanto Evangellyne Allins tenta sobreviver a uma Escola tirana, num país onde cores de olho, Elites e Classes de Talento são o que importa, a vida de seu querido pai está em tremendo risco. Esse foi o preço de sua manifestação. Será que valerá a pena enfrentar todos os seus reflexos mais profundos e íntimos pela pessoa mais amada?Tortura. Medo. Aversão. Evangellyne será forçada a descobrir-se quer queira quer não. Ela será obrigada a arcar com as consequências desoladoras de sua manifestação; e seu interno, o estado Espelho dos Olhos, a transformará inconscientemente.


Remi Claus conseguiu ir mais afundo do que qualquer outro cientista. Ele queria vangloriar a humanidade e o seu sonho era mudar a genética humana, gerando assim uma nova espécie, evoluindo-a. Com isso, ele pensava apenas na proteção da sociedade.

Remi morava com suas duas filhas e estava conformado em não conseguir concluir a formula que mudasse a genética humana. Mas Brigit, sua filha mais velha, concretizou a fórmula em um surto sonâmbulo. Remi então se dedicou a estudar os efeitos do experimento e aplicar em novas cobaias. A fórmula mudava a cor da íris dos olhos de acordo com o dom que cada um recebia.

A população no começo teve certo preconceito, mas vendo que isso trazia habilidades, se revoltaram por nem todos terem acessos. Logo houve uma rebelião e o laboratório foi queimado, matando Remi e suas filhas.

O que Remi criou para trazer paz, gerou a guerra e a destruição. Houve uma guerra no centro do país entre os que tinham habilidades e os que não tinham. Devido a um terremoto gerado pela loucura que o local estava, foi então dividido o país em cinco estados, cada um em uma ilha. Stravânsia agora é governado por uma rainha e um vice-rei, mas vive uma ditadura cruel e injusta.

Em uma das ilhas mais pobres do país, cuja maioria dos habitantes não possui habilidades - sendo assim chamados de "zero-classes" - vive Evangellyne Allins, uma garota que mora com o seu pai zero-classe e lenhador. O detalhe mais importante é que ela possui olhos verdes, mas nunca demonstrou talento algum, uma coisa muito em comum, por isso alguns a julga mentirosa.

   "Enquanto isso, em cada canto do vilarejo, alguns zero-classes dormem enrolados em papelões para se protegerem do frio."
No país existe a Escola talental, na qual custa uma fortuna para estudar lá. E todo ano acontece a Viajem de Busca, que é um evento que passa em todos os estados do país para buscar novos alunos para a Escola. O ambiente foi desenvolvido para que os estudantes tenham o controle de seus dons e possam usá-lo com perfeição.

Após enfrentar o vice-rei, Evangellyne tem a sua vida mudada e é obrigada a ir para a Escola Talental. O seu pai pode está correndo perigo e ela tem que se passar por uma pessoa que ela não é.

"O motivo do nascer só é válido se ele resultar em uma adequada razão."

O Prólogo do livro foi bem construído, mas não me agradou mais que os outros capítulos, no qual ganharam a essencial narração de Evangellyne.

Gostei muito de todos os personagens, principalmente da Valete, uma bipolar com cabelos azuis e de olhos cinzas, ou seja, é da classe de talento dos pintores.

   - Essas roupas que temos que usar... - Os olhos viram de uma maneira cômica. - Todas coloridas! Por que Pintores devem usar essas roupas de palhaços retardados?"

Nicolas construiu uma distopia perfeita e inovadora. Os olhos são algo comum, coisa que o autor usou como objeto de extrema importância em sua fantasia.

A escrita é bem detalhada, explorando e nos afogando mais ainda dentro do livro. O local, as emoções e os desabafos da protagonista também nos fazem criar um vinculo com Evangellyne.

Essa foi uma das melhores distopias que eu li nos últimos anos. A capa também está linda e a diagramação apesar de simples, está bonita e confortável, no estilo padrão da Novo Século.



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19 comentários

  1. Que livro interessante Michael. A resenha tá excelente, parabéns. Abração!!

    www.marcasliterarias.com.br

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  2. Nossa, é muito interessante.. vou procurar pra ver se consigo ler..
    Eu amo ler e esse me chamou muita atenção.. Ótima resenha viu!
    Abraçooos!
    www.reflexobrilhante.blogspot.com.br

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  3. Oie Michael =)

    Você como sempre trazendo resenhas de livros interessantes. Não conhecia a obra e nem o autor, mas a premissa me deixou curiosa.

    Ótima resenha!

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  4. A capa é bonita, mas não é o tipo de livro que eu leria.
    Bjus!

    galerafashion.com

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  5. Oie
    A trama do livro me deixou bem interessada, faz tempo já que não leio uma boa distopia. Adorei saber sua opinião sobre.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  6. Oi Michael

    Li toda a sua resenha e, ao final, "essa foi a melhor distopia que li nos últimos anos" tem um peso definidor nas considerações de próximas leituras.
    É um enredo original, em meio a tantas distopias que estão se reproduzindo loucamente.
    Mas vou manter um post it em minha lista de livros para próxima leitura.
    Parabéns.

    Abraço.

    Alana Marques
    colecionadoresdelivross.blogspot.com.br

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  7. Nunca tinha ouvido falar desse livro. Não leio muitas distopias, ainda fico em dúvida se é meu estilo ou não. Mas adorei saber que você gostou muito dessa.. me deu até curiosidade de conhecer :D

    www.vivendosentimentos.com.br

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  8. Oii Michael

    Amo distopias e saber que essa foi uma das melhores que vc leu já me convence totalmente. Pena que por aqui esse livro não foi publicado, mas deixarei ele anotadinho pra quando surgir uma oportunidade.

    Beijos

    unbloglitteraire.blogspot.com.ar

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